{"id":1000,"date":"2025-10-07T14:23:11","date_gmt":"2025-10-07T17:23:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/?p=1000"},"modified":"2025-10-07T14:38:59","modified_gmt":"2025-10-07T17:38:59","slug":"territorio-e-os-conflitos-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/territorio-e-os-conflitos-mundiais\/","title":{"rendered":"Territ\u00f3rio e os conflitos mundiais"},"content":{"rendered":"<p>O territ\u00f3rio, como mostra Haesbaert (2014), \u00e9 um dos cinco grandes conceitos que comp\u00f5em a constela\u00e7\u00e3o de ideias t\u00e3o caros \u00e0 ci\u00eancia geogr\u00e1fica, embora n\u00e3o seja exclusivo a esta (a biologia, a ci\u00eancia pol\u00edtica, a filosofia e a sociologia tamb\u00e9m o abordam, cada uma \u00e0 sua maneira).<\/p>\n<p>Mesmo dentro da geografia, entender o territ\u00f3rio \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua, pois existem m\u00faltiplas formas de compreender sua dimens\u00e3o (pol\u00edtica, cultural, econ\u00f4mica, natural). Por isso, para compreender a rela\u00e7\u00e3o entre territ\u00f3rio e<br \/>\nconflitos mundiais, \u00e9 necess\u00e1rio acionar a dimens\u00e3o mais cl\u00e1ssica e conhecida: a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O franc\u00eas Jean Gottmann, no cl\u00e1ssico artigo \u201cThe evolution of the concept of territory\u201d (1975), afirma que o conceito de territ\u00f3rio \u00e9 um dispositivo psicossom\u00e1tico. Ou seja, \u00e9 uma \u00e1gama de elementos psicol\u00f3gicos (sentimentos, percep\u00e7\u00f5es) e materiais (f\u00edsico, controle, recursos) que visa, por meio de quem o utiliza, organizar o espa\u00e7o conforme seus objetivos. Portanto, o territ\u00f3rio sempre foi objeto de disputa e motivo de conflito entre diferentes agentes de<br \/>\npoder.<\/p>\n<p>At\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, os conflitos mundiais pelo territ\u00f3rio entre imp\u00e9rios (Otomano, Russo, Austro-H\u00fangaro, Japon\u00eas) estavam vinculados ao controle e posse das terras e seus recursos. Exemplos s\u00e3o a Confer\u00eancia de Berlim, com a partilha do continente africano pelas pot\u00eancias europeias, e a disputa sino-japonesa pela Manch\u00faria.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, os conflitos entre Estados-na\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio, no sentido pol\u00edtico, ultrapassaram a estrutura anterior. N\u00e3o se trata mais apenas da posse e controle das terras. Agora, a dimens\u00e3o pol\u00edtica territorial e os conflitos abrangem outros aspectos al\u00e9m da por\u00e7\u00e3o de<br \/>\nterra.<\/p>\n<p>No mundo moderno, o conceito de territ\u00f3rio e os conflitos mundiais incorporam quest\u00f5es como:<br \/>\n<strong>[a] controle dos c\u00e9us<\/strong> (espa\u00e7os a\u00e9reos e quem transita sobre eles. No conflito entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, pa\u00edses europeus proibiram empresas a\u00e9reas russas de sobrevoar seus territ\u00f3rios, e a R\u00fassia fez o mesmo com empresas europeias, estadunidenses e asi\u00e1ticas, causando preju\u00edzos econ\u00f4micos a ambos);<br \/>\n<strong>[b] disputas territoriais mar\u00edtimas<\/strong> (como as tens\u00f5es no Mar do Sul da China,<br \/>\nonde Pequim, Filipinas, Vietn\u00e3, Mal\u00e1sia e outros disputam \u00e1reas por acesso a<br \/>\nrecursos naturais e posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas); e<br \/>\n<strong>[c] dom\u00ednio dos meios t\u00e9cnico-cient\u00edfico-informacionais<\/strong> (controle e regulamenta\u00e7\u00e3o da internet e da informa\u00e7\u00e3o que por ela circula. A R\u00fassia, por exemplo, exige que dados de seus cidad\u00e3os estejam em bancos fisicamente<br \/>\nlocalizados no pa\u00eds).<\/p>\n<p>Portanto, os conflitos mundiais em curso mant\u00eam o objetivo cl\u00e1ssico de controlar o territ\u00f3rio conforme os interesses de quem o domina. Contudo, como alertava Gottmann (2012), a compreens\u00e3o do territ\u00f3rio nesses conflitos se transformou. Existe uma no\u00e7\u00e3o mais sofisticada, em que as disputas consideram quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o coletiva das popula\u00e7\u00f5es que vivem nesses espa\u00e7os, e n\u00e3o apenas o dom\u00ednio dos recursos e da terra.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><br \/>\nGottmann, J. (2012). A evolu\u00e7\u00e3o do conceito de territ\u00f3rio. Boletim<br \/>\nCampineiro De Geografia, 2(3), 523\u2013545. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.54446\/bcg.v2i3.86\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.54446\/bcg.v2i3.86<\/a><br \/>\nHAESBAERT, Rog\u00e9rio. Viver no limite: territ\u00f3rio e<br \/>\nmulti\/transterritorialidade em tempos de in-seguran\u00e7a e conten\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Bertrand, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jonathan Christian Dias dos Santos atualmente \u00e9 Doutorando em Geografia no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGGEO\/UFRRJ) e professor substituto no Departamento de Geografia da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Baixada Fluminense\/Universidade do Estado do Rio de Janeiro (DEGEO \u2013 FEBF\/UERJ). E-mail:<br \/>\n<a href=\"mailto:Jonathan_ christian95@hotmail.com\">Jonathan_ christian95@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O territ\u00f3rio, como mostra Haesbaert (2014), \u00e9 um dos cinco grandes conceitos que comp\u00f5em a constela\u00e7\u00e3o de ideias t\u00e3o caros \u00e0 ci\u00eancia geogr\u00e1fica, embora n\u00e3o seja exclusivo a esta (a biologia, a ci\u00eancia pol\u00edtica, a filosofia e a sociologia tamb\u00e9m o abordam, cada uma \u00e0 sua maneira). 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