{"id":223,"date":"2020-08-17T13:17:56","date_gmt":"2020-08-17T16:17:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/portal-tcn\/?p=223"},"modified":"2023-02-15T11:43:28","modified_gmt":"2023-02-15T14:43:28","slug":"sobre-a-ciencia-afrodiasporica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/sobre-a-ciencia-afrodiasporica\/","title":{"rendered":"SOBRE A CI\u00caNCIA AFRODIASP\u00d3RICA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Anna M. Canavarro Benite<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem diferentes maneiras de se fazer leituras de realidade, o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 uma delas, e n\u00e3o h\u00e1 como apontar qual recorte de realidade teria maior import\u00e2ncia, mas a ci\u00eancia segue sendo uma perspectiva hegem\u00f4nica. Essa perspectiva tende a produzir s\u00edmbolos caracter\u00edsticos da sua linguagem que, por si s\u00f3, interditam o acesso a essa linguagem. A ci\u00eancia moderna e recente, da maneira como n\u00f3s a conhecemos, interdita produ\u00e7\u00f5es de seus predecessores e estabelece uma estrutura calcada na centralidade da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que hierarquiza o conhecimento e imprime uma rela\u00e7\u00e3o racista no pr\u00f3prio estabelecimento do <em>corpus <\/em>da ci\u00eancia. Os <em>corpus <\/em>de conhecimentos produzem s\u00edmbolos espec\u00edficos, com significa\u00e7\u00f5es diferentes para cada grupo social. Destaco a diversidade de significa\u00e7\u00f5es constru\u00eddas pelo conhecimento cient\u00edfico, conhecimento tradicional e conhecimento religioso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem basicamente dois mecanismos de difus\u00e3o dos tra\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o cultural. Um deles ocorre de maneira espont\u00e2nea nas comunidades tradicionais \u2013 que hoje s\u00e3o 28 segmentos diferentes reconhecidas por lei no nosso pa\u00eds; o outro \u00e9 o que associa mecanismos da nossa sobreviv\u00eancia (modo de produ\u00e7\u00e3o) \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico. Toda produ\u00e7\u00e3o cultural, seja por mecanismo de difus\u00e3o espont\u00e2nea, seja por competi\u00e7\u00e3o, \u00e9 marcada por interdi\u00e7\u00f5es e regras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A marca do conhecimento cient\u00edfico \u00e9 ser um conhecimento simb\u00f3lico por natureza, como todas as matrizes de pensamento, mas esta \u00e9 socialmente negoci\u00e1vel. N\u00e3o por acaso, esse conhecimento, produzido e ensinado dentro das institui\u00e7\u00f5es escolares no nosso pa\u00eds, \u00e9 um conhecimento branco, euroc\u00eantrico, hegem\u00f4nico, produzido principalmente por homens. E, ainda, \u00e9 um conhecimento entendido como universal e verdadeiro: \u201ca\u201d verdade absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o por acaso, essa simbologia historicamente valorizada est\u00e1 associada a um discurso de dem\u00e9rito das demais simbologias e epistemologias. Por isso, matrizes culturais n\u00e3o hegem\u00f4nicas sequer chegam a compor os curr\u00edculos das nossas institui\u00e7\u00f5es escolares. Ademais, para justificar&nbsp;a vis\u00e3o negativa, a ordem do dem\u00e9rito \u00e9 atrelada \u00e0 barb\u00e1rie que se instauraria nas outras poss\u00edveis matrizes de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ci\u00eancia, como mecanismo de produ\u00e7\u00e3o cultural, cria regras e interdi\u00e7\u00f5es. Voc\u00eas sabiam que essa pir\u00e2mide alimentar mudou? O s\u00edmbolo de nossa nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 a garantia do funcionamento das nossas rea\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas. Agora, na base da pir\u00e2mide, vem hidrata\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio f\u00edsico. O que a gente aprendeu sobre a quantidade e a composi\u00e7\u00e3o de nutrientes agora s\u00f3 vale se eu estiver bem em termos de hidrata\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio f\u00edsico. Essa mesma ci\u00eancia que regula meu funcionamento metab\u00f3lico, interdita os corpos negros. Quando a gente, no quinto ou sexto ano, estuda a evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, aprende nos modelos da biologia que macaquinhos viram homenzinhos, e n\u00e3o homens quaisquer, mas homens brancos. As mulheres sequer foram cogitadas na escala de evolu\u00e7\u00e3o. Apesar do elogiado programa nacional do livro did\u00e1tico, isso continua sendo reproduzido como modelo hegem\u00f4nico de ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse modelo que toma o g\u00eanero masculino como universal \u00e9 equivocadamente reproduzido nas obras did\u00e1ticas, apesar de os estudos de data\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana \u2013 estudos mitocondriais, que s\u00e3o marcadores femininos -, indicarem Lucy, uma mulher africana exemplar do <em>Australopithecus Afarensis<\/em>, como a refer\u00eancia do ser humano mais antigo da nossa hist\u00f3ria. O esqueleto de Lucy foi recriado e est\u00e1 exposto em museus2. Hoje, essa ci\u00eancia que \u00e9 produzida e ensinada a partir desse lugar social eurocentrado e masculino de produ\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica \u00e9 respons\u00e1vel por nos colocar, no ranqueamento, como d\u00e9cimo terceiro pa\u00eds produtor de artigos cient\u00edficos no mundo. Mas, quando a gente observa o que isso significa, e como isso se relaciona com o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano no Brasil, h\u00e1 um imenso hiato: os \u00edndices de qualidade de vida nos posicionam na septuag\u00e9sima nona posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos um enorme potencial de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas n\u00e3o chegamos ao produto final. Al\u00e9m disso, esse produto n\u00e3o dialoga, de fato, com quem somos. A produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que acontece nas universidades e tamb\u00e9m os curr\u00edculos dessas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o, majoritariamente, curr\u00edculos brancos, que produzem pesquisas preocupadas com um suposto sujeito universal. Estou falando de um lugar de privil\u00e9gio, que autoriza aquilo a que a gente assiste, neste momento, no nosso pa\u00eds: uma equipe de homens brancos, cometendo desmandos diariamente, vilipendiando os direitos da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Mas, se a gente coloca aqui as lentes de \u00f3culos que descortinam desigualdades, a&nbsp;gente observa que a expectativa de vida ou longevidade, segundo dados do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano \u2013 IDH, reduz-se de acordo com condi\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, de classe e de g\u00eanero. Cabe observar que a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira ainda d\u00e1 cor aos empregos subalternos, aos pres\u00eddios, \u00e0s moradias da periferia e luta para sobreviver todos os dias contra o bra\u00e7o armado do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, no nosso pa\u00eds, \u00e9 baseada na meritocracia, o mesmo argumento que tenta desqualificar as nossas presen\u00e7as negras em diversos espa\u00e7os, como a Academia. Essa mesma l\u00f3gica que tenta desqualificar as nossas presen\u00e7as neste espa\u00e7o n\u00e3o se sustenta mais no argumento pol\u00edtico de produtividade. Essa l\u00f3gica est\u00e1 baseada na compet\u00eancia, na temporan\u00e7a e na competitividade. Mas \u00e9 a l\u00f3gica de uma ci\u00eancia que n\u00e3o dialoga com quem n\u00f3s somos. A Academia segue propagando alguns mitos raciol\u00f3gicos e apagando a hist\u00f3ria do povo africano e da di\u00e1spora. Cito um excerto da entrevista de James Watson, pr\u00eamio Nobel de Medicina, ao <em>The Sunday Times, <\/em>em outubro de 2007: \u201cTodas as nossas pol\u00edticas sociais s\u00e3o baseadas no fato de que a intelig\u00eancia dos negros \u00e9 igual \u00e0 nossa, apesar de todos os testes dizerem que n\u00e3o\u201d. Isso foi veiculado em discursos acad\u00eamicos dos s\u00e9culos XIX e XX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe outra maneira de nos situarmos, a n\u00e3o ser nos comprometermos com quem somos, com as nossas origens. Sou uma negra cientista. \u00c9 fato: nossos corpos chegam primeiro e o estigma racial insiste em nos capturar. A realidade precisa mudar, porque uma sociedade menos racista \u00e9 uma sociedade com qualidade de vida para todo mundo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"305\" height=\"390\" src=\"http:\/\/localhost\/portal-tcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-226\" srcset=\"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image1.jpg 305w, http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image1-235x300.jpg 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Fonte:&nbsp;<\/strong>http:\/\/agencia.fapesp.br\/mais-africano-do-que-nunca\/7465\/The effect of ancient population bottlenecks on human phenotypic variation Andrea Manica, Bill Amos, Fran\u00e7ois Balloux and Tsunehiko HaniharaNature. 2007 July 19; 448(7151): 346\u2013348. doi:10.1038\/nature05951.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe outra maneira de produzir ci\u00eancia? Sim, existe. Uma dessas maneiras \u00e9 aprender com nossos ancestrais e com o que a resist\u00eancia epistemol\u00f3gica no nosso pa\u00eds t\u00eam feito: uma ci\u00eancia que se coloque pertencente \u00e0 natureza, e n\u00e3o, exploradora da natureza. A gente tem muito a aprender com os povos que n\u00e3o separaram seus mitos de seu conhecimento cient\u00edfico. Existe uma gama de pesquisadores que lutam contra a invisibiliza\u00e7\u00e3o do passado do povo da di\u00e1spora africana no campo da ci\u00eancia e tecnologia. Eu trouxe alguns exemplos: Frantz Fanon, Ivan Van Sertima, Ney Lopes, Sueli Carneiro e Abdias Nascimento, homenageado aqui hoje. Sua vi\u00fava toca o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros \u2013 IPEAFRO, reunindo toda a hist\u00f3ria do Teatro Experimental do Negro, uma das primeiras experi\u00eancias de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos no nosso pa\u00eds. Antes de Paulo Freire, Abdias Nascimento j\u00e1 estava fazendo alfabetiza\u00e7\u00e3o de negros no pa\u00eds. E Henrique Cunha. Existe uma gama de pesquisadores trabalhando nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muitos anos reivindicamos um curr\u00edculo que reconhecesse espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de outras matrizes de produ\u00e7\u00e3o. No nosso pa\u00eds, faz sentido falar na matriz de produ\u00e7\u00e3o da di\u00e1spora, porque somos o segundo pa\u00eds em popula\u00e7\u00e3o negra no mundo. Uma capa da <em>Nature <\/em>de 2007 abordava um estudo de marcadores de radiois\u00f3topos para determinar a composi\u00e7\u00e3o dos seres humanos mais antigos da Terra. Esse estudo foi conduzido por pesquisadores da Inglaterra e do Jap\u00e3o e chegou \u00e0 seguinte conclus\u00e3o, com t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de radioisotopia: a composi\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima que tinham os seres humanos mais antigos dos cinco continentes era a composi\u00e7\u00e3o do mais antigo ser da \u00c1frica. Nossa origem, portanto, \u00e9 africana. Cheikh Anta Diop j\u00e1 falava sobre isso em 1979, quando produziu um mapa tra\u00e7ando os fluxos migrat\u00f3rios a partir de artefatos t\u00e9cnicos encontrados nos cinco continentes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"355\" height=\"438\" src=\"http:\/\/localhost\/portal-tcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Lavoisier.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-225\" srcset=\"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Lavoisier.jpg 355w, http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Lavoisier-243x300.jpg 243w\" sizes=\"auto, (max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: <a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/quimica\/lei-conservacao-massa.htm\">https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/quimica\/lei-conservacao-massa.htm<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quais s\u00e3o as semelhan\u00e7as entre o <em>muro de Zimb\u00e1bue<\/em>, os templos incas amer\u00edndios e as pir\u00e2mides? Que conhecimento est\u00e1 atrelado \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o das coordenadas retangulares, descritas num papiro eg\u00edpcio, que hoje est\u00e1 num museu na Europa? Se a gente precisasse de mais um motivo para reivindicar um lugar de produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, valem as <em>Cavernas de Blombos, <\/em>descobertas em 2009 na \u00c1frica do Sul, reveladas para a humanidade em 2012. O que foi achado nelas? Artefatos de um povo que manipulava opera\u00e7\u00f5es&nbsp;unit\u00e1rias. Um povo que n\u00e3o s\u00f3 estocava alimento, mas tamb\u00e9m os armazenava e fazia misturas, transformava alimentos. Essas cavernas s\u00e3o datadas de 70 a 100 mil anos atr\u00e1s, e a pr\u00e9-hist\u00f3ria humana \u00e9 contada a partir da Fran\u00e7a, com achados de 17 a 18 mil anos atr\u00e1s. Ou seja, Blombos reivindica a recontagem da nossa pr\u00e9-hist\u00f3ria, conforme descoberta de 2009. Passaram-se dez anos, mas a gente ainda n\u00e3o viu isso inserido nos livros did\u00e1ticos. O <em>osso de Ishango<\/em>3 \u00e9 a primeira calculadora da hist\u00f3ria da humanidade: s\u00e3o tr\u00eas colunas empalhadas no per\u00f4nio de babu\u00edno; \u00e9 a primeira vez que se tem not\u00edcia dos n\u00fameros primos. O artefato foi tamb\u00e9m creditado como ferramenta para multiplica\u00e7\u00e3o, e como calend\u00e1rio; a marca\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio lunar, ali\u00e1s, era um modo de as mulheres marcarem os ciclos femininos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a balan\u00e7a que ficou conhecida na hist\u00f3ria como \u201cbalan\u00e7a de Lavoisier\u201d. A partir da\u00ed, muda a maneira como a qu\u00edmica relaciona a propor\u00e7\u00e3o entre elementos qu\u00edmicos. Essa balan\u00e7a j\u00e1 tinha sido descrita antes, no mito religioso de Osiris, no Egito negro. Trata-se de um deus que se doa em favor do seu povo e ressuscita no terceiro dia, parecido com outra hist\u00f3ria que conhecemos\u2026<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este texto foi proferido na Jornada de Semin\u00e1rios \u201cRela\u00e7\u00f5es do Conhecimento entre Arte e Ci\u00eancia: g\u00eanero, neocolonialismo e espa\u00e7o sideral\u201d, realizada de agosto a dezembro de 2019, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Helena Nader e Paulo Herkenhoff, titulares da C\u00e1tedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ci\u00eancia. A publica\u00e7\u00e3o sair\u00e1 pela Editora do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*Anna M. Canavarro Benite \u00e9&nbsp;Doutora e Mestre em Ci\u00eancias e Licenciada em Qu\u00edmica (UFR J\/ 2005). Professora Associada e Coordenadora do PIBID QU\u00cdMICA da Universidade Federal de Goi\u00e1s. Coordenadora do Laborat\u00f3rio de&nbsp;Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Qu\u00edmica e Inclus\u00e3o- LPEQI&nbsp; da UFG (2006) onde instituiu em 2009 o&nbsp;Coletivo CIATA- Grupo de Estudos sobre a Descoloniza\u00e7\u00e3o do Curr\u00edculo de Ci\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anna M. Canavarro Benite Existem diferentes maneiras de se fazer leituras de realidade, o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 uma delas, e n\u00e3o h\u00e1 como apontar qual recorte de realidade teria maior import\u00e2ncia, mas a ci\u00eancia segue sendo uma perspectiva hegem\u00f4nica. 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