{"id":335,"date":"2018-02-28T03:23:21","date_gmt":"2018-02-28T06:23:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/portal-tcn\/?p=335"},"modified":"2023-02-15T13:04:04","modified_gmt":"2023-02-15T16:04:04","slug":"caatinga-semiarido-e-sertao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/caatinga-semiarido-e-sertao\/","title":{"rendered":"Caatinga, Semi\u00e1rido e Sert\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Elizeu Pinheiro da Cruz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sert\u00e3o, semi\u00e1rido e caatinga s\u00e3o classifica\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rios que se relacionam intimamente na constitui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio baiano. A caatinga \u00e9 descrita como o \u00fanico bioma que s\u00f3 existe no Brasil, ocupando a regi\u00e3o nordeste e um fragmento do estado de Minas Gerais, sendo que as \u00e1reas nativas mais expressivas est\u00e3o na Bahia e no Piau\u00ed (LEAL; TABARELLI; SILVA, 2003). Conforme observamos nos mapas (Figuras 01 e 02), boa parte do territ\u00f3rio do semi\u00e1rido (39,8%) \u00e9 tamb\u00e9m territ\u00f3rio da caatinga, o que nos faz pensar que as taxonomias ou classifica\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rio est\u00e3o intimamente relacionadas com a identidade regional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 processos de institucionaliza\u00e7\u00e3o dessas taxonomias, como as produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE, para definir a caatinga como um dos seis biomas brasileiro com 9,92% do territ\u00f3rio, juntamente com Amaz\u00f4nia (49,29%), Cerrado (23,92%), Pantanal (1,76%), Pampa (2,07%) e Mata Atl\u00e2ntica (13,04%). Mais da metade (54%) do territ\u00f3rio do estado da Bahia \u00e9 constitu\u00eddo em um espa\u00e7o geogr\u00e1fico que tem clima, solo e composi\u00e7\u00e3o animal e vegetal distintos que viabilizam a sua classifica\u00e7\u00e3o como Bioma Caatinga nas descri\u00e7\u00f5es produzidas por cientistas de tr\u00eas agrupamentos das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas: Bot\u00e2nica, Ecologia e Zoologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sert\u00e3o, que est\u00e1 tamb\u00e9m relacionado a semi\u00e1rido, categoria marcadamente presente nas pol\u00edticas p\u00fablicas para o nordeste, \u00e9 tamb\u00e9m institucionalizado pelo IBGE como \u00e1rea de semiaridez (semi\u00e1rido) e pobreza hidrogr\u00e1fica, mesmo com a presen\u00e7a de destacados rios do Brasil, o Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"449\" height=\"416\" src=\"http:\/\/localhost\/portal-tcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/caatinga2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-337\" srcset=\"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/caatinga2.png 449w, http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/caatinga2-300x278.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 1 \u2013 Representa\u00e7\u00e3o dos biomas brasileiros no mapa do Brasil. Escala de 1: 5.000.000 (primeira aproxima\u00e7\u00e3o). Fiz um destaque (c\u00edrculo pontilhado) do territ\u00f3rio que investigo com suas duas peculiaridades: presen\u00e7a do \u00fanico bioma existente no Brasil e por ser uma regi\u00e3o ecotonal de encontro da caatinga, cerrado e mata atl\u00e2ntica. Fonte: IBGE<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"416\" src=\"http:\/\/localhost\/portal-tcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/caatinga1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-338\" srcset=\"http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/caatinga1.png 336w, http:\/\/www.mast.br\/portaltcn\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/caatinga1-242x300.png 242w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 2 \u2013 Mapa que apresenta abrang\u00eancia da regi\u00e3o semi\u00e1rida no Brasil apresentado pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional em 2005. Fonte: Brasil (2005)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">AS EXPEDI\u00c7\u00d5ES DOS NATURALISTAS E AS EXPEDI\u00c7\u00d5ES CONTEMPOR\u00c2NEAS: ENDEMISMOS E PRODU\u00c7\u00c3O DO TERRIT\u00d3RIO<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Expedi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e coleta de esp\u00e9cimes nesses territ\u00f3rios remetem aos viajantes naturalistas portugueses do s\u00e9culo XIX, como o pr\u00edncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, que esteve o interior da Bahia entre 1815 e 1817 produzindo descri\u00e7\u00f5es da natureza e coletando exemplares da biodiversidade baiana, definindo como sert\u00e3o, em tons sublime e maravilhado. Tais descri\u00e7\u00f5es podem ser consideradas um marco para os estudos etnol\u00f3gicos no Brasil (COSTA, 2008) e corroboram ind\u00edcios de que o conceito de \u201csert\u00e3o\u201d \u00e9 tamb\u00e9m uma inven\u00e7\u00e3o dos colonizadores portugueses para atender a uma dupla finalidade: classificar o distante e o ex\u00f3tico e distribuir identidades que pode tamb\u00e9m assumir o sentido de liberdade e para\u00edso ecol\u00f3gico a depender do lugar de fala (AMADO, 1995). Dessa forma, as narrativas desse pr\u00edncipe austr\u00edaco sobre os grandes espa\u00e7os interiores e poucos conhecidos nos permite retomar a quest\u00e3o escalar utilizada pelos portugueses desde o s\u00e9culo XIV para designar de \u201csert\u00e3o\u201d as regi\u00f5es portuguesas distantes de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Euclides da Cunha, com a constru\u00e7\u00e3o do arqu\u00e9tipo da brasilidade sertaneja, destaca a paisagem desse territ\u00f3rio com aspecto atormentado ainda que sua cl\u00e1ssica obra \u201cOs sert\u00f5es\u201d tenha contribu\u00eddo com a funda\u00e7\u00e3o das reflex\u00f5es sobre as singularidades socioculturais do Brasil (REZENDE, 2001). Jo\u00e3o Guimaraes Rosa, em \u201cGrandes sert\u00f5es: veredas\u201d, confronta duas geografias, uma real e outra inventada, para construir o sert\u00e3o como um pensamento mais forte do que o poder do lugar f\u00edsico-geogr\u00e1fico, uma imagem arcaica e hist\u00f3rica (BOLLE, 1998).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sert\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, um protagonista dos relatos de naturalistas, da literatura, da historiografia e de outras descri\u00e7\u00f5es do\/sobre o Brasil. Por\u00e9m, \u00e9 um verbete que apresenta imprecis\u00e3o e inadequa\u00e7\u00e3o, sendo utilizado, a partir do s\u00e9culo XIX, para pensar a na\u00e7\u00e3o (AMADO, 1995) e pode ser acompanhado da ideia de aridez ou despovoamento (ANTONIO FILHO, 2011), com aus\u00eancia de mata fechada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas taxonomias que ganharam destaque nas produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e acad\u00eamicas nacionais para territ\u00f3rios s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es de humanos \u201cde fora\u201d da regi\u00e3o, o que nos coloca uma reivindica\u00e7\u00e3o no tempo presente: um movimento de recupera\u00e7\u00e3o do trabalho dos agentes (humanos e n\u00e3o humanos) para forjar, na experi\u00eancia de exist\u00eancia no sert\u00e3o (exist\u00eancia situada), as suas pr\u00f3prias taxonomias para plantas e animais imbricadas com as classifica\u00e7\u00f5es do lugar (do territ\u00f3rio) em processos de mobilidade que colocam as fronteiras em um constante redesenhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa de doutorado \u201c<strong>Vidas engajadas e engajamentos que d\u00e3o vida na hist\u00f3ria das ci\u00eancias do tempo presente<\/strong>: itiner\u00e1rios da Bot\u00e2nica, da Ecologia e da Zoologia no sudoeste do Estado da Bahia, Brasil (1999-2016)\u201d, desenvolvida por mim e sob a orienta\u00e7\u00e3o da Professora Moema de Rezende Vergara, enfrenta tais quest\u00f5es em um exerc\u00edcio te\u00f3rico-metodol\u00f3gico de produ\u00e7\u00e3o de uma \u201chist\u00f3ria das ci\u00eancias do tempo presente em e da mobilidade\u201d. A tese prop\u00f5e pensar n\u00e3o apenas as fronteiras da caatinga, semi\u00e1rido e sert\u00e3o emergindo nos endemismos (cact\u00e1ceas, abelhas, vespas, orqu\u00eddeas e outros seres) descritos pelos agrupamentos Bot\u00e2nica, Ecologia e Zoologia, mas tamb\u00e9m as fronteiras desses agrupamentos na constitui\u00e7\u00e3o das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e na constitui\u00e7\u00e3o de uma possibilidade para a Hist\u00f3ria das ci\u00eancias local.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"http:\/\/portaltcn.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/caatinga_semiarido_sertao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baixe o artigo<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elizeu Pinheiro da Cruz Sert\u00e3o, semi\u00e1rido e caatinga s\u00e3o classifica\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rios que se relacionam intimamente na constitui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio baiano. 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