Neste breve texto iremos contar como foi criado o Acervo Virtual da Mangueira. Ele nasceu dentro do projeto Estação Primeira de Mangueira: Ancestralidade, Memória e o Poder feminino em sua história, e veio com a missão de resgatar as histórias de mulheres que fizeram – e ainda fazem – parte da trajetória da escola de samba. A ideia é usar essas memórias para entender melhor as tradições, os valores e a cultura que moldam a identidade da comunidade mangueirense.

Para melhor compreensão é importante apresentar que Mangueira, uma das agremiações carnavalescas mais populares do planeta, também se apresenta como uma das escolas de samba mais “tradicionais”. A questão é que o tradicionalismo também pode ser uma forma de exercer comportamentos machistas. Um exemplo disso é o fato de que apenas nos primeiros anos do século XXI, a bateria aceitou mulheres em sua composição, fato que já era comum em outras escolas de samba.

Sendo assim, o projeto ocorreu da seguinte forma: as bolsistas, que são da própria comunidade da Mangueira e estudam na Universidade do Rio de Janeiro “UERJ”, foram atrás dos relatos dessas mulheres que marcaram presença em diferentes momentos da história da Estação Primeira.

O projeto foi pensado para que a formação das pesquisadoras acontecesse dentro da própria comunidade, fortalecendo o papel da escola de samba como espaço de educação e transformação. Teve capacitação na quadra da Mangueira, visitas técnicas em outros lugares de memória, e entrevistas com figuras como Alcione, Leci Brandão, Dona Gilda e Evelyn Bastos. Além disso, ocorreu um trabalho de organização de acervos e descoberta de materiais inéditos guardados pelo Centro de Memória Verde e Rosa.

Depois de todo esse processo, o conteúdo foi reunido num acervo virtual usando o plug-in Tainacan. O acervo também possui características comunitárias, permitindo que moradores da Mangueira compartilhem suas próprias histórias e se reconheçam como parte viva dessa memória.

Para apresentar tudo isso, a equipe organizou um seminário na quadra da escola, mostrando o resultado final do acervo para comunidade e para as instituições parceiras. Com isso, o trabalho reforça o papel da Estação Primeira de Mangueira como um espaço de preservação da memória, da cultura e da ancestralidade.

Dessa forma, o trabalho não apenas contribuiu para a preservação e difusão da memória coletiva da Estação Primeira de Mangueira, mas também lançou luz sobre a presença e a atuação das mulheres que ajudaram a construir essa história. Ao reunir e disponibilizar as fontes em um acervo digital acessível, o projeto fortalece o vínculo
entre memória, território e identidade, permitindo que a própria comunidade se reconheça como protagonista de sua trajetória. Assim, a iniciativa reafirma o compromisso com a valorização das mulheres e com a preservação da herança cultural e ancestral de Mangueira, assegurando que suas histórias continuem a inspirar e ensinar as gerações futuras.

 

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